Lesson 1 – Take 1 – “Mine and yours”
- Me chama de my charry red.
- O quê?
- Pedi pra você me chamar de my cherry red, como naquela música antiga... o cara diz cherry red , sweeter than the honeycomb, sweeter still when we're alone, cherry red , my cherry red...
- Mas por que isso agora? Eu te chamo de tantas outras coisas...
- Mas ser chamada de my cherry red é o que está faltando na minha vida.
- Tá. My cherry red.
- Não.
- Não o quê?
- Não quero mais que me chame assim.
- Mas por quê?! Não dá pra te entender. O problema não era ser chamada de my cherry red?
- Mas isso não se pede.
- Me chama você agora.
- De my cherry red? Mas você não tem nada a ver com my cherry red... nem cabelo vermelho você tem.
- Nossa, mas que falta de sensibilidade. Por que só você tem que ser chamada assim?
- Eu não quero que você me chame assim.
- Não foi o que você disse antes.
- As pessoas mudam, sabia?
(silêncio)
Ela ouve Ray Charles, Georgia on my mind, na rede da varanda. Dá um suspiro nostálgico e se deixa levar pelo pensamento frouxo. Nunca ninguém vai me chamar de my cherry red. Não do jeito que eu quero. Por isso eu odeio descobrir o apelido certo pra mim... ninguém vai adivinhar se eu não disser; o que significa que eu tenho que pedir para que me chamem assim; e o que passa a não significar nada. Alguém pode vir me dizer que o apelido certo é aquele que a outra pessoa acha que é o certo pra mim. Dane-se, eu quero ser chamada de my cherry red e nunca serei, esse é o fato. Peraí, nunca me chamaram de nada que tivesse alguma coisa parecida com esse “my”... eu nunca fui de ninguém e ninguém nunca foi “mine”. Vai ver é isso... Vai ver o que eu quero mesmo é alguém que queira me chamar de my cherry red, mais do que propriamente ser chamada assim. Mas tinha que ser my cherry red... ninguém entende, tem tudo a ver, é simplesmente perfeito! Me atrevo a dizer que me sentiria completa sendo your charry red, como a cereja do sorvete (yours? But who are you?). Eu pintei o cabelo de vermelho, você podia notar isso em mim e fazer alguma brincadeira, então eu acharia graça e você ia me chamar sempre assim só pra me ver sorrindo. E aí, toda vez que você me chamasse daquilo, eu pularia no seu pescoço e te daria longos beijos; todos os meus beijos... eles seriam só seus. Depois você passaria a mão entre os meus cabelos e gastaria alguns minutos colocando seus olhos nos meus. Ficaria me olhando também enquanto eu dormisse. Então falaria baixinho no meu ouvido, mesmo sem eu saber, ... my cherry red. My cherry red? Não sei... talvez só “mine”...
